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Comunicado de Imprensa Noticias

INCENTEA: O “dinossauro” tecnológico de Leiria que se reinventou com IA para duplicar dimensão

Maio 5, 2026

A INCENTEA, uma empresa com sede em Leiria, fustigada pelas tempestades, mas cujo modelo descentralizado se revelou resiliente.

Carlos Vaz explica como a multinacional nascida no centro do país pretende atingir os 50 milhões de euros de volume de negócios, combatendo o “caos” organizacional: “Processos mal definidos só aceleram o caos”.

A INCENTEA fechou o ano de 2025 com uma receita consolidada de 24 milhões de euros e um crescimento de 5,4%. Para Carlos Vaz, diretor de Marketing e especialista em IA da empresa de consultoria digital sediada em Leiria, este resultado é fruto de uma decisão estratégica clara: “Concentrarmo-nos naquilo que é o nosso core, alienámos empresas que não eram o nosso core e isso permitiu-nos estar mais focados.”

Este foco é o combustível para a meta assumida de duplicar o negócio até 2027, transformando este”dinossauro” tecnológico, como o próprio diretor o define, pois caminha para os 40 anos de existência, num líder da Inteligência Artificial aplicada à gestão. Esta ambição de crescimento é sustentada por uma mudança de patamar na própria organização. Carlos Vaz destaca que o grupo já não joga na liga das pequenas empresas, tendo ganhado uma robustez que lhe permite enfrentar desafios de maior escala. “A INCENTEA passou de uma PME para uma small mid-cap”, diz o executivo, sublinhando que este salto de dimensão é essencial para acompanhar a aceleração tecnológica imposta pela cloude pela Inteligência Artificial, as novas ferramentas da empresa que ajuda outras organizações a adaptarem-se ao desafio da transformação digital. Presente em Portugal e Espanha, mas também na França, no Brasil, em Angola, em Moçambique e em Cabo Verde, a INCENTEA é hoje uma verdadeira multinacional.

Conseguiu-o através de uma estratégia de M&A (fusões e aquisições) bem planeada que serviu, também, para “incorporar o conhecimento” de décadas e depois “desenvolver as ferramentas adaptadas às novas necessidades”, diz Carlos Vaz. A expansão ibérica é outra peça fundamental do puzzle. Com a integração da Dragomar, a INCENTEA pisou o acelerador no mercado espanhol, focando-se em nichos como a indústria do mar. “Sendo Espanha e Portugal países com uma unidade costeira imensa… há uma aposta forte na indústria do mar”, explica Vaz.

Do petróleo do Futuro aos agentes inteligentes

Atualmente, a INCENTEA está a desenvolver agentes de IA personalizados para cada cliente que atuam sobre o que  Carlos Vaz denomina como o “petróleo do futuro” – os dados. Mas deixa um aviso às organizações: “as empresas têm de ver, antes de tudo, se têm informação devidamente catalogada. E esse é um trabalho de base.” Até porque, lembra, a tecnologia não é uma varinha mágica que resolva problemas de gestão estruturais. Processos mal definidos só aceleram o caos. Nas empresas em que a INCENTEA presta consultoria, a estratégia passa por garantir que as empresas ganhem maturidade na boa aplicação de algoritmos, para garantir que, no fim, o verdadeiro impacto da Inteligência Artificial é na tomada da decisão. Um dos casos de sucesso que conta envolve a automação de mil e-mails diários numa empresa de certificação, algo que era, até então, feito por uma pessoa. Um agente que nós criámos deteta automaticamente a intenção no e-mail… identifica e entrega ao CRM o pedido para a pessoa responsável. Vaz destaca que esta democratização da tecnologia permite que as FME tenham agora acesso a ferramentas que eram exclusivas às grandes empresas. O especialista destaca que quando a decisão humana é aumentada pela tecnologia, a qualidade da mesma aumenta em pelo menos 12%. E, para as empresas, a vantagem competitiva reside na rapidez: permite tomar melhores decisões, porque são baseadas no contexto, com mais informação

Financiamento e o medo de vender

No que toca ao financiamento desta revolução tecnológica, a INCENTEA marca presença nas agendas mobilizadoras do PRR trabalhando em clusters. Mas Vaz deixa uma crítica construtiva do ecossistema de inovação nacional: temos de tirar o receio de usar a palavra ‘vender’. Nós temos de vender o que criamos… temos de criar impacto nas soluções que criamos para obter o retorno do investimento. Na própria INCENTEA, o objetivo é que dois terços do valor para atingir os 50 milhões de euros estejam assentes nestes serviços de inteligência. Mas apesar da IA permitir recuperar até 90 dias por ano em tarefas financeiras e de gestão, Carlos Vaz assegura que o tator humano permanece intocável. O clique final é humano, conclui, reforçando que a missão da sua empresa continua a ser usar a tecnologia para libertar as pessoas para áreas de maior valor acrescentado. nonrando o lema Technology for People.

... quando a decisão humana é "aumentada" pela IA, a qualidade da mesma "aumenta em pelo menos 12%". Para as empresas, a vantagem competitiva reside na rapidez: "Permite tomar melhores decisões, porque são baseadas no contexto, com mais informação."

Carlos VazEspecialista em IA da INCENTEA

Prova de fogo em Leiria: quando a nuvem vence a tempestade

A forma como a INCENTEA lidou com o “comboio de tempestades” que fustigou a região de Leiria é, para Carlos Vaz, um exemplo de resiliência. “Estivemos no centro do furacão”, recorda, descrevendo danos físicos graves e semanas sem comunicações estáveis. Mas a aposta na descentralização e na cloud provou o seu valor. A empresa tinha inaugurado instalações novas há apenas quatro meses quando o temporal atingiu a cidade: “ficou o espaço inutilizado”, devido a danos físicos graves, nomeadamente a quebra generalizada de vidros e falhas estruturais, obrigando a equipa a um regresso aos escritórios cheio de condicionalismos que ainda hoje persistem.”Um mês e uma semana depois ainda não tínhamos comunicações”, revela  Carlos Vaz, sublinhando que a operação enfrentou ainda dias sucessivos de instabilidade energética. Perante este cenário de destruição física, a solução veio do modelo de negócio: a aposta numa infraestrutura descentralizada. “Isto permitiu que a operação continuasse.”

Os sistemas permaneciam intactos, na nuvem, pelo que os consultores puderam continuar a apoiar empresas em todos os países e regiões onde o grupo opera. “As nossas pessoas foram extraordinárias”, elogia Carlos Vaz.

Para a INCENTEA, este episódio foi também a demonstração de como a continuidade do negócio é, hoje, também uma questão de estratégia tecnológica e não apenas de infraestrutura física.

Artigo de Ricardo Simões Ferreira no Jornal Dinheiro Vivo
Publicado em 30 de Abril de 2026, disponível o artigo online aqui.