Há uma ideia que atravessa décadas de gestão empresarial e que, apesar de tudo o que o mundo mudou entretanto, continua a ser mais atual do que nunca. Chama-se kaizen, vem do japonês, e significa, literalmente, mudança para melhor.
Mas a tradução, por mais precisa que seja, não chega para explicar o que está por detrás deste conceito. O kaizen não é uma técnica de gestão nem uma metodologia com manual de instruções. É, antes de mais, uma forma de estar perante o trabalho e perante a vida. Uma convicção de que o estado atual das coisas é sempre provisório e de que há sempre qualquer coisa, por menor que seja, que pode ser aperfeiçoada
Mas a tradução, por mais precisa que seja, não chega para explicar o que está por detrás deste conceito. O kaizen não é uma técnica de gestão nem uma metodologia com manual de instruções. É, antes de mais, uma forma de estar perante o trabalho e perante a vida. Uma convicção de que o estado atual das coisas é sempre provisório e de que há sempre qualquer coisa, por menor que seja, que pode ser aperfeiçoada.
Quem lidera uma empresa de tecnologia conhece bem a pressão da velocidade. O setor exige respostas rápidas, lançamentos frequentes, adaptação constante. É fácil, neste ambiente, confundir movimento com progresso. É fácil acumular funcionalidades, alargar equipas e multiplicar processos sem nunca parar para perguntar se o que estamos a construir é, de facto, melhor do que o que existia antes. O kaizen obriga precisamente a essa paragem. Não para abrandar, mas para olhar com honestidade para o que está a ser feito e para o que pode ser feito de outra forma.
A filosofia nasceu no Japão do pós-guerra, num contexto de escassez de recursos e de necessidade urgente de reconstrução industrial. Foi a Toyota que a tornou célebre, ao transformá-la no alicerce de um sistema produtivo estudado e imitado em todo o mundo. Mas o que muitas organizações descobriram, frequentemente a custo, é que copiar as ferramentas sem interiorizar a filosofia não produz resultados sustentáveis.
O kaizen não funciona como um programa que se instala numa tarde. Funciona como uma cultura que se cultiva, dia após dia, com a participação genuína de todos os que integram uma organização.
João Antunes
Board Member INCENTEA

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