IA: o ativo invisível na estratégia fiscal das empresas
Board Member INCENTEA
À medida que as empresas vão amadurecendo a sua abordagem à IA, torna-se evidente que o seu impacto não selimita à transformação das operações, podendo também estender-se à forma como a fiscalidade é gerida de formamais estratégica.
Nos últimos anos, a inteligência artificial (IA) tem sido apontada como um dos principais motores da nova excelência operacional, e com razão, já que, em diferentes setores, os ganhos começam a ser claros, quer ao nível da eficiência, quer na qualidade das decisões e na agilidade dos processos.
Ainda assim, no meio deste entusiasmo, há uma dimensão que continua largamente fora do radar das empresas e que pode ter um impacto direto na sua competitividade: a relação entre a inteligência artificial e a estratégia fiscal.
O contexto português, neste aspeto, é particularmente favorável à inovação, disponibilizando instrumentos que permitem às empresas recuperar uma parte muito significativa do investimento em I&D, podendo, em alguns casos, ultrapassar os 80%. No entanto, apesar deste enquadramento, a realidade mostra que muitas organizações continuam longe de aproveitar este potencial na sua totalidade. Não por falta de investimento, mas sobretudo por falta de enquadramento adequado.
Na prática, o que acontece é que muitos projetos de inteligência artificial são ainda tratados exclusivamente como iniciativas tecnológicas ou operacionais, quando, na verdade, uma parte relevante destes projetos cumpre critériosclaros para ser considerada atividade de inovação e, como tal, elegível para incentivos fiscais. É precisamente neste ponto que se começa a desenhar uma mudança de paradigma. À medida que as empresas vão amadurecendo a sua abordagem à IA, torna-se evidente que o seu impacto não se limita à transformação das operações, podendo também estender-se à forma como a fiscalidade é gerida de forma mais estratégica.
De facto, a própria inteligência artificial pode desempenhar um papel determinante neste processo, ao permitir identificar atividades elegíveis, estruturar informação para candidaturas e até simular diferentes cenários fiscais, tornando toda a gestão de incentivos mais rigorosa, mais eficiente e alinhada com os objetivos do negócio.
Num contexto em que a pressão competitiva é crescente e a eficiência se assume como um fator crítico, ignorar esta dimensão acaba por significar, na prática, deixar valor por capturar.
Talvez, por isso, seja tempo de reformular a questão. Em vez de perguntar “quanto custa investir em IA?”, fará mais sentido perguntar quanto desse investimento pode ser efetivamente recuperado e, sobretudo, como pode esse retorno ser maximizado de forma consistente.
No final, a excelência operacional do futuro não será apenas medida pela eficiência dos processos, mas pela capacidade de conciliar tecnologia, estratégia e fiscalidade numa visão integrada, onde a inteligência artificial deixa de ser vista como um centro de custo e passa a assumir-se, de forma clara, como uma verdadeira alavanca de criação de valor.
Artigo de Opinião de João Antunes – Conselho de Administração da INCENTEA
Publicada a 20 de Abril 2026, em Jornal Económico

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