Há frases que nos acompanham na vida e do nada, vêm à memoria. Life isn’t about finding yourself, it is about creating yourself marcou a minha adolescência.
Anos mais tarde, percebo que talvez não fale apenas de pessoas. Fala também de organizações.
Habituámo-nos a olhar para o futuro como algo a descobrir. Estudamos tendências, antecipamos competências, analisamos gerações, perguntamos como será o trabalho de amanhã. Tudo isso é necessário. Mas talvez seja insuficiente. Porque o futuro não é apenas um lugar para onde caminhamos. É também algo que escolhemos construir.
Gosto de ler o que Byung-Chul Han escreve sobre a nossa sociedade atual: cansada, acelerada, sem espaço para contemplar. E talvez seja esse um dos riscos do nosso tempo: estamos tão ocupados a reagir ao que muda que deixámos de imaginar o que queremos transformar. Adaptamo-nos muito. Autorizamo-nos pouco.
No trabalho, isto é decisivo. A inteligência artificial pode produzir respostas, acelerar processos, sugerir caminhos. Mas continua a haver uma pergunta que nenhuma tecnologia responde por nós: porquê? É aí que começa a autoria. Na capacidade de escolher uma direção, de dar sentido ao que fazemos, de não sermos apenas executores de tarefas ou consumidores de futuro.
E quando no final de Matrix, o Agent Smith pergunta ao Neo porque continua a lutar, a resposta é simples: “because I choose to”. Não como um ato de resistência, mas sim de propósito. E é essa escolha que muda tudo.
Num mundo focado em antecipar, talvez a verdadeira diferença esteja em quem ainda sabe a importância de escolher. Escolher criar, em vez de apenas adaptar. Escolher questionar, em vez de apenas cumprir. Escolher desafiar para poder construir futuros que ainda não existem.
Há uma ideia-chave do adn da INCENTEA que sempre me fez sentido: somos Pessoas com soluções. E isso implica mais do que resolver o presente. Implica escutar o aí vem, mas também ter a coragem de o escrever. Porque o futuro do trabalho não está definido à espera de ser encontrado. Será imaginado e criado por quem, como nós, decidir como o quer conceber.
Maria Craveiro
People & Culture Director INCENTEA

O futuro não se encontra. Cria-se.

EXPOPROCESSOS 2026: tecnologia, processos e inovação ao serviço da indústria
